Acredito que o mundo se tornou um tanto superficial, os olhares hoje são outros e os rótulos são variados. Como habitar esse hábito? Como viver? Uma questão que tento desvendar todos os dias. Deixo o ponto de interrogação na sua mente, na minha mente. Falar de igualdade racial, social, sexual, seja lá qual fôr é facil, mas pense bem, você pratica? A hipocrisia está dominando o mundo minha gente, abra os olhos ou melhor abra a mente. Não somos uma mercadoria qualquer em uma prateleira do supermercado para receber um rótulo barato. Somos brancos, negros, pardos, índios, altos ou baixos, acima de tudo somos gente. E eu sou crente que um dia poderemos viver igualmente, sem nenhum olhar torno, nem fala baixa. Em um mundo não haja discriminação, divisão, definição de diferenças fúteis. Afinal, não deixe que te coloquem rótulos, mude sempre as etiquetas.
sábado, 7 de maio de 2011
terça-feira, 3 de maio de 2011
PALAVRA AO TEMPO - PARTE III
um compromisso com o acaso

Alguns chamam de sorte. Os freudianos chamam de sincronicidade, de sincronia, ou sincronismo, tem a ver com tempo. Cronos engole seus próprios filhos, a poeticidade na interpretação da cronologia, essa fome sinistra. Outros chamam de coincidência, enfim, existem vários nomes para o acaso – fado, destino, sina, ventura, sincronia, simultaneidade, concomitância. Pode escolher. Esse último, o acaso, segue um movimento caótico, acidental, quase mórbido, de suspense, batimentos cardíacos, adrenalina, alívio. Transcendental, percebe? Um movimento não retilíneo e não constante em velocidade. Só não se pode mesurar, medir, criar, inventar ou fabricar um conceito novo capaz de explicar os porquês etimológicos da natureza humana e quantificar e qualificar e tudo aquilo que foge da natureza simplesmente humana, demasiadamente humana, a imaginação, abstração. Roubaram-me uma crença, quando eu era criança. Como roubam-te cá e lá ao longo da vida.
Alguns chamam de sorte. Os freudianos chamam de sincronicidade, de sincronia, ou sincronismo, tem a ver com tempo. Cronos engole seus próprios filhos, a poeticidade na interpretação da cronologia, essa fome sinistra. Outros chamam de coincidência, enfim, existem vários nomes para o acaso – fado, destino, sina, ventura, sincronia, simultaneidade, concomitância. Pode escolher. Esse último, o acaso, segue um movimento caótico, acidental, quase mórbido, de suspense, batimentos cardíacos, adrenalina, alívio. Transcendental, percebe? Um movimento não retilíneo e não constante em velocidade. Só não se pode mesurar, medir, criar, inventar ou fabricar um conceito novo capaz de explicar os porquês etimológicos da natureza humana e quantificar e qualificar e tudo aquilo que foge da natureza simplesmente humana, demasiadamente humana, a imaginação, abstração. Roubaram-me uma crença, quando eu era criança. Como roubam-te cá e lá ao longo da vida.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
VIDA PROVISÓRIA
Há momentos em que a vida não parece ser vivida. Nos sentimos passando pelos dias, ultrapassando as horas, chegando ao fim de mais um dia, mas sem saber por que e para quê. Já se sentiu assim? Eu já! Sonhos se tornaram reais, tudo aconteceu, mas sinto que nada mudou, ou tudo mudou e não sei lidar com isso. A vida parece provisória, indefinida, transitória. Talvez por que a gente sonha e se esquece que um dia será preciso acordar dos sonhos e nem sempre eles acordam junto com a gente. Que pena... Ganhei pontos, venci inimigos, peguei vidas extras, mas não sei como tudo irá terminar. É duro não sentir certeza - por mais que eu adore os benefícios das dúvidas - não sentir firmeza nos passos que se dá, nem no chão por onde se pisa, é difícil. Desconheço os caminhos por onde passo, não reconheço alguns companheiros de estrada, sinto falta dos que seguiram por outros rumos, mas continuo caminhando, esperando o momento em que tudo se esclareça e eu tenha certeza de como serão os dias daqui para a frente. O indefinido assusta, o incerto amedronta. Nunca é fácil lidar com as mudanças e como as coisas mudam, como eu mudei! Mudei e talvez por isso sinto a vida como provisória, acho que, na verdade, percebi, finalmente, que a vida é provisória, pois ter certeza demais, saber como tudo será não tem graça, não é mesmo? Há uma explicação para todas essas sensações: vida adulta! Crescer não é fácil, é o mais difícil processo, principalmente porque você só percebe que está crescendo quando já cresceu e até entender isso, as coisas complicam bastante... Tem hora que dá vontade de acelerar o calendário e imaginar como estarei daqui três, seis meses, um ano! Mas de que adiantaria? A vida só vale a pena quando é vivida, sentida, então se há dúvidas é porque sinto, porque vivo. Tem quem diz que a "única certeza da vida é que vamos morrer", lamento por serem tão pessimistas assim. Inventei outra crença para eu me agarrar: A ÚNICA CERTEZA DA VIDA É QUE VOCÊ TERÁ QUE VIVÊ-LA! ENTÃO, FAÇO-O DA MELHOR FORMA! O medo é o que nos move, nos motiva. Um dia uma amiga me ensinou que sempre superamos o que achávamos ser nosso maior medo: "um dia você já teve medo do escuro, não é?". Tive sim, eu já tive medo do escuro, hoje ele não me assusta mais. Assim será com todos os medos, eles vão passar. Vida, vida, provisória, pós-adolescente, pré-adulta. Vida, vida, provisória, se aloje, se aquiete, me conforte! Quando tudo acontece e nada muda, você é que mudou e tudo ainda vai acontecer!
domingo, 1 de maio de 2011
PALAVRA AO TEMPO - PARTE II
Hoje não houve entardecer. A noite caiu simplesmente, mas a lua ainda brilha no céu. Foram longos os entardeceres que passei diante dessa janela, pensando na vida, na sua vinda. Vejo que estou a poucos metros e alguns quilômetros de alcançar a chegada do tempo. Estou me observando a cada instante. Na prateleira onde coloquei as lembranças. Nas frases clichê da vida. Estou me vendo, me policiando. Mas não da palavra! A palavra fura e rasga. A palavra empunhada, apunhalada, punhaladas. Nada permanece. Quando bela, quando triste. O sol logo amanhece. Porém só um dia, o porquê se levanta. A gente entende, sorri e anda.
PALAVRA AO TEMPO - PARTE I
Estou sentada numa pedra no alto de um rochedo observando as gaivotas. Ouço barulho do vento contra a falésia. O pio das gaivotas, quando encontra o eco, se perde no ar. Sob o ordeiro ar da brisa suave onda desliza em nosso calmo remanso. Meus olhos deslizam sobre o mar. Desço descalça, quero conhecer o caminho das pedras. Na beira da praia minhas pegadas fazem o caminho. Tenho mais ou menos uns dezoito anos. Sei, por intuição, que sou uma das mais velhas da minha turma. Nossa praia não tem onda. Já se passaram séculos e eu ali... No alto do rochedo, pensava na solidão de todas as vidas. Vejo os homens e mulheres e até as crianças ajudando a juntar pedra para um funeral. Olhares recaiam sobre mim. Todos fizeram as suas orações. Pedi aos homens não deixarem suas mulheres chorarem, que já tudo havia terminado, que se fez o ciclo. Pois no fundo mora nossa própria fragilidade exposta num corpo sem vida. Lembro de dar meu dedo mindinho da mão a uma criança pequena que me acompanhava. As mulheres e os homens então prendiam o choro. Sentíamos a grande a perda fazer-se um vazio em nossos corpos. Como uma cabeça sem cérebro, um cérebro morto. E era isso que nos coordenava que havia morrido. De madrugada sinto minha respiração plena e calma. O perfume das floras aromáticas muito macias, camada sobre camada, sobre as quais dormia. Caíram sobre nós aquelas gotículas de energia que brilha. E caíam essas gotinhas refletidas pela luz das estrelas e da lua. Caíam sobre nós e nem víamos. Eu podia ver como se estivesse no céu. E eu estava,e eu estou.
sexta-feira, 29 de abril de 2011
EM BUSCA DOS PODERES!
Quando eu era mais criança que hoje eu queria ser igual o Super-Homem. Alguns anos depois descobri que ele era um E.T. e usava a cueca em cima da calça. Desencantei. É fácil para um não humano fazer o que ele faz. Mesmo assim, tentei voar como ele. Quebrei um dente na janela e resolvi mudar de herói. Conheci o Batman. Ele não tinha super-poderes, mas mesmo assim era um super-herói. Gostei da vida de superação. E ser herói já é muito, para que ser super? No fundo, todos nós queremos salvar o mundo (não é só a Madonna), enquanto não conseguimos nem nos salvar. Pretensiosos, bondosos e estúpidos candidatos a heróis somos nós. Pedia todos os dias para ser como o Batman e salvar o mundo do mal. Fui crescendo e deixei de querer ser herói. Me contentei com querer alguém que me salve. Deus salve a Rainha, Batman salve a Gothan e quem vai me salvar? Como eu vou me salvar de mim? Não há cinto-de-utilidades, capa ou máscara que alivie as dúvidas e dores de se viver. Nunca encontrei o Batman, mas descobri que o mundo está lotado de pessoas que também usam máscaras. Máscaras para tirar um pouco da cor do mundo, para destruí-lo e não salvá-lo. Vilões que com palavras cortam mais que a faca do Coringa. Se meu pranto, meu grito e minha esperança é algum tipo de Bat-Sinal, anda logo Batman, antes que eu descubra que os heróis também são mais uma das ilusões que inventamos para acreditar em dias um pouco melhores que os de hoje.
"Temos apenas de seguir a trilha do herói, e lá, onde temíamos encontrar algo abominável, encontramos um Deus. E lá, onde esperávamos matar alguém, mataremos a nós mesmos. Onde imaginávamos viajar para longe, iremos ter o centro da nossa própria existência. E lá onde pensávamos estar sós, estaremos na companhia do mundo todo”
(Joseph Campbell)
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