Já estou um pouco velha para acreditar em fada-madrinha. Ainda estou um pouco nova para deixar de acreditar. Acredito nas pessoas, ponho fé em olhares, espero por promessas não prometidas (ou negadas). É que vejo além, além do que se vê, onde os olhos não alcançam, mas o coração pode ver, pode sentir. Não sei é inocência, mas ainda acredito. Acho que se eu não acreditasse no que me falam eu não acreditaria no que eu digo. Penso que é melhor ganhar uma ilusão do que perder uma esperança. E quanta desilusão, quanto perda do que nunca tive. Mas também quanto crença, no amor e em tudo mais que me fizer sonhar. Uma promessa não prometida é como o amor não é correspondido: não começa, não termina, não acontece e só desanima. Esperar por eles é esperar em vão. Por uma vida um pouco mais digna, espero por promessas realizadas, amores correspondidos e pessoas mais corajosas. Uma promessa não prometida nem sempre não foi não feita. É que assim como o amor não correspondido ela pode ser fruto de um covarde, que se não ousa dizer "sim", também não honra em dizer "não". Preferir a fuga à entrega é deixar de viver. E se viver é consumir-se, me coma, me beba e me leva, para onde as promessas sejam sempre verdade e o amor pareça doer um pouco menos do que o irreal.