segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

COBERTOR

O frio dos corações em clima de verão.

Já faz um tempo, uma moça loura cantava: "cobertor aquece, mas não abraça". Achava a letra curiosa, mais curiosa que a mancha dela na coxa esquerda. O tempo passou, muita coisa não mudou e só o clima é diferente, cada vez mais intenso. Assim, como cada sentimento que hoje me levam a entender e querer trocar cada lençol, edredon ou cobertor por um abraço. Um abraço daqueles que se ganha antes de dormir, antes de olhar para o lado e ver, quem te faz querer acordar, adormecer. Aquele abraço silencioso de quem fala "muito obrigado", por me abraçar, por deitar aqui e ter escolhido amenizar ao meu frio e ao de mais ninguém. Outro dia choveu. Choveu forte. Choveu gelo. Choveu pedra. Choveu pedra de gelo. O céu cansou de se contentar com água ou, em contato com a Terra, a água da chuva resolveu imitar ao clima de tantos corações gelados que habitam na superfície. Corações na superfície, onde moram os que jamais amam profundamente. Quem acha que não amar é pecado que atire a primeira pedra! E a Mãe Natureza atirou várias, para alertar a este mundo frio em que trocam sentimentos por sensações. Meu medo era que as mudanças climáticas começassem a acompanhar as mudanças desta minha quente inconstante alma. Mas não preciso me preocupar, nem todos os institutos e pesquisadores conseguiriam prever o clima de tudo o que se passa aqui dentro. Meu coração é daqueles imprevisíveis que agem sempre da mesma maneira. Mesmo assim é um conforto, ver tanto frio lá fora e tanta coisa quente e viva aqui dentro. Para o frio da pele um cobertor. Para o frio da alma, um abraço. Pena que as pessoas não são como o cobertor. Tem gente que não se toca nem sacudindo a poeira, lavando para tirar o cheiro velho de naftalina (usada para afastar velhas paixões), deixando de molho no melhor dos amaciantes, e colocando para pegar sol. Tem gente que nasceu para aquecer, tem gente que nasceu para abraçar. Faz frio, lá fora, mas não aqui dentro. Porque muda o clima e a vida acorda, mas eu sempre volto a sonhar.