Um dia estava muito triste e cheguei ao cinema. Era 2006. Vi o cartaz de um filme de terror ao qual eu jamais veria CryWolf - viagem ao inferno. No cartaz do filme estava escrita uma frase que mexeu muito comigo: "como ser encontrado se ninguém nota que você está perdido?". Aquela tagline me resumiu e eu chorei ali mesmo, em plena fila do cinema e sem cerimônia. Sou assim, uma mulher, uma menina, intensa, sincera, entregue, (in)sensível, melancólica e exagerada! Fui para uma livraria e comprei um livro, Você é especial, para me sentir mais confortável em minha própria pele. Porque é assim, tem dias que a gente não se encaixa, não se ajeita em si, sobra ou falta algo e você não se reconhece, não se suporta. Engraçado como nesses dias o cinema pode nos ajudar a se entender. Porque são nesses momentos, em que ficamos sós, que somos obrigados a lidar com o nosso maior medo, entrar em contato conosco mesmo! E poucos são capazes de enfrentar tal missão. Nos filmes também encontrei uma outra frase sobre a dor de não se encaixar, a dor de viver. É um diálogo do filme A casa do fim do mundo:
- Você é capaz de qualquer coisa!
- Existe uma coisa de que eu não sou capaz?
- Do quê?- Ficar sozinha.
Acho que é isso, também não sou capaz de ficar sozinha, não mesmo! Me alimento de gente, de ouvir, de pensar, de abraçar, de tocar. Pessoas me nutrem e a falta delas me esvazia. Se eu puder escolher fico com uma frase de Dawson's Creek: "a história sobre uma garota que desejava mais do que tinha e que teve que crescer, para perceber que já tinha tudo o que desejava". Amém! Obrigado a todo vazio infinito que nos põe em contato com tudo aquilo que nos falta (ou sobra).